sábado, 18 de janeiro de 2020

Cacau orgânico tira pequenos agricultores da pobreza na Bahia

Foto: Morgann Jezequel/AFP

Em uma encosta de uma colina, na Bahia, os grãos de cacau levam dias secando no interior de uma estufa. "É a nossa última colheita e já temos comprador", conta, entusiasmado, Rubens Costa de Jesus, agricultor da fazenda comunitária Dois Riachões, que reúne 39 famílias.

Antes sem terra e agora instalados a 80 km do litoral da Bahia, esses pequenos agricultores produzem cacau, frutas e verduras sem usar fertilizantes ou agrotóxicos.

Sua produção faz parte das cerca de 1.900 toneladas de cacau orgânico cultivadas no Brasil em 2018, menos de 1% da produção nacional.

Todos os agricultores são nativos da região e, em 2001, se estabeleceram em Dois Riachões, mais precisamente em precárias instalações situadas próximo a uma estrada.

Na época, a propriedade de 400 hectares pertencia a uma grande família de produtores de cacau que não cumpria com os critérios de produtividade impostos pelo governo.

Seis anos depois, após uma desapropriação judicial do terreno e mesmo com recurso apresentado por parte dos antigos proprietários, esses produtores decidiram se instalar em uma parte da terra e cultivar ali os seus produtos, sempre usando métodos exclusivamente orgânicos e sistema agroflorestal para o plantio de cacau.